INFLUÊNCIA PARA A COMPOSIÇÃO DA IMAGEM-TEMPO (IMAGENS QUE PENSAM) DE DELEUZE: O NEORREALISMO ITALIANO

 


Deleuze compreende que o surgimento da imagem do realismo no cinema, a imagem-fato, no Neorrealismo italiano registra a crise do cinema em ação, a imagem-movimento, do cinema clássico (1915-1950/60). O movimento cinematográfico pós-Segunda Guerra Mundial italiano, caracterizou-se por retratar a realidade social e econômica da época, utilizando locações reais, atores não profissionais e uma estética documental. 

Roberto Rossellini, Vittorio De Sica, Luchino Visconti, Francesco Rosi, Paolo e Vittorio Taviani e Pier Paolo Pasolini são considerados por Deleuze como filósofos modernos, não por meio da palavra/texto escrito, mas pela composição de imagens cinematográficas, que apresentavam: busca por retratar a realidade da vida cotidiana, com foco na classe trabalhadora e nos problemas sociais e econômicos, refletindo a condição humana de excluídos sociais, pós-guerra, no contexto capitalista; uso de cenários urbanos abertos como locação da realidade, além do trabalho com não atores. 

As críticas sociais abordavam os temas da pobreza, desigualdade social, a devastação e o sentido da guerra e do legado da política autoritária fascista italiana. Há neste movimento cinematográfico, fortes influências estéticas da Escola de Cinema Russa, nas narrativas que traziam a dialética da imagem, em oposição às narrativas clássicas americanas.

                                      Figura 1: Filme “Roma, cidade aberta”, Roberto Rossellini, 1945.

Em 1945, com o término da Segunda Guerra Mundial, a Itália, assim como toda a Europa, encontrava-se devastada, o povo sofria sem emprego, sem comida e sem moradia. Por meio desse cenário caótico, alguns cineastas locais compreenderam a necessidade de expor a dura realidade de seu país, se contrapondo ao modelo de cinema que esteve em vigência em solo italiano, durante o período fascista (1922 – 1945). Na ditadura de Mussolini, as produções tendiam (eram obrigadas) a ser otimistas, moralistas, positivistas, para exportar ao mundo uma versão irreal do que acontecia, com o intuito de legitimar o regime totalitário. Com a nova realidade e a derrota do fascismo, todos puderam conhecer, finalmente, a situação precária daquele povo sofrido.

A obra de Rossellini narra a história de um período no qual, a partir de agosto de 1943, Roma foi decretada como uma cidade aberta, e os nazistas marchavam pelo território, buscando por inimigos do nazi fascismo. Membros contrários a esse regime, tidos como a Resistência, eram formados por grupos comunistas que se aliaram a integrantes e líderes da Igreja Católica. Nesse ambiente tenebroso, o povo sofria com racionamento de comida, toque de recolher rigoroso e as investigações dos soldados de Hitler, e essa perseguição era feita com métodos totalmente desumanos. Roma, cidade aberta (1945) é um expoente do Neorrealismo italiano.

 

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